quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A solidão e o amor


A solidão é, por vezes, mera questão de escolha, de inércia ou de ego. Bastaria olhar ao redor para sabê-lo. Em outras ocasiões, ela será, no entanto, condição de crescimento e alcance da grandeza.

Às vezes a solidão surge do descaso, do medo de comprometer-se, de ceder, do adiamento irresponsável do abraço; em outros momentos, ela será condição de fidelidade, de intransigência amorosa.

A solidão pode surgir quando não há decisão pelo amor. Mas pode também se dar enquanto resguarda o valor de um amor e o aperfeiçoa.

O amor, sendo adesão, implica muitos 'nãos'. Quando alguém se decide por outro alguém, ele diz 'não' a todas as outras possibilidades. Mas, se não ousa dizer este 'não' à multiplicidade, dirá 'não' necessariamente ao amor.

Decidir-se pelo amor é arriscar-se; é tomar uma atitude corajosa; é transcender o mero cálculo do próprio ganho; é sobretudo um lançar-se. Jesus já o tinha dito: amar é como perder a vida; eis a condição para ganhá-la.

Talvez implique numa certa solidão. Mas quão diferente é esta daquela outra solidão que não é, senão, o medo do dar-se. Deste medo, que também é morte, não surge nenhuma vida. Esta é a solidão de quem se recusou a amar, por medo de se ferir.

Sobre este assunto, S. João da Cruz tem uma frase majestosa: "O amor quanto mais fere, mais cura e, quanto mais cura, mais fere".

Que um dia, depois de deixarmos de meninices, possamos reviver aquilo que Sta Teresa D'Avila tão belamente descreveu: "De amor está se abrasando o que nasceu tiritando".

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