sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Eu?... Sou só um menino...



Caminho de infância. – Abandono. – Infância Espiritual. – Nada disto é ingenuidade, mas forte e sólida vida cristã.

Na vida espiritual da infância, as coisas que as “crianças” dizem ou fazem nunca são criancices ou puerilidades.

Ser pequeno. As grandes audácias são sempre das crianças. – Quem pede... a lua? – Quem não repara nos perigos, ao tratar de conseguir o seu desejo?
“Colocai” numa criança “dessas” muita graça de Deus, o desejo de fazer a Vontade dEle, muito amor a Jesus, toda a ciência humana que a sua capacidade lhe permita adquirir... e tereis retratado o caráter dos apóstolos de hoje, tal como indubitavelmente Deus os quer.
 
Faz-te criança. – Ainda mais. – Mas não fiques na “idade do buço”. Já viste coisa mais ridícula do que um moleque bancando “o homem” ou um homem “amolecado”?
Criança para com Deus; e, por conseqüência, homem muito viril em tudo o mais. – Ah!... e larga essas manhas de cachorrinho de colo.

Diante de Deus, que é Eterno, tu és uma criança menor do que, diante de ti, um garotinho de dois anos.
E, além de criança, és filho de Deus. – Não o esqueças.

Menino bobo: no dia em que ocultares alguma coisa da tua alma ao Diretor, deixaste de ser criança, porque perdeste a simplicidade.

Sendo crianças, não tereis mágoas; as crianças esquecem depressa os desgostos para voltarem aos seus divertimentos habituais. – Por isso, com esse “abandono”, não tereis que vos preocupar, pois descansareis no Pai.

As crianças não têm nada de seu; tudo é de seus pais... E teu Pai sabe sempre muito bem como administra o patrimônio.

Menino: o abandono exige docilidade.

Menino audaz, grita: - Que amor o de Teresa! – Que zelo o de Xavier! – Que homem tão admirável São Paulo! – Ah, Jesus, pois eu... Te amo mais do que Paulo, Xavier e Teresa!
 
Quando te chamo “menino bom”, não penses que te imagino encolhido, acanhado. – Se não és varonil e... normal, em lugar de seres um apóstolo, serás uma caricatura que provoca riso.

Menino bom, diz a Jesus muitas vezes ao dia: eu Te amo, eu Te amo, eu Te amo...
 
Que as tuas faltas e imperfeições, e mesmo as tuas quedas graves, não te afastem de Deus. – A criança débil, se é sensata, procura estar perto de seu pai.

Não te preocupes se te aborreces quando fazes essas pequenas coisas que Ele te pede. – Ainda chegarás a sorrir...
Não vês com que pouca vontade dá o menino simples a seu pai, que o experimenta, a guloseima que tinha nas mãos? – Mas dá; venceu o amor.

Reconheço a minha rudeza, meu Amor, que é tanta..., tanta, que até quando quero acariciar, machuco.
- Suaviza as maneiras da minha alma; dá-me, quero que me dês, dentro da firme virilidade da vida de infância, aquela delicadeza e meiguice que as crianças têm para tratar, com íntima efusão de amor, os seus pais.

Uma picadela. – E outra. E outra. – Agüenta-as, faz favor! Não vês que és tão pequeno que só podes oferecer na tua vida – no teu pequeno caminho – essas pequenas cruzes?
Além disso, repara: uma cruz sobre outra – uma picadela... e outra..., que grande montão!
No fim, menino, soubeste fazer uma coisa muito grande: Amar.

Que a vossa oração seja viril. – Ser criança não é ser efeminado.

Como é bom ser criança! – Quando um homem solicita um favor, é preciso que ao requerimento junte a folha dos seus méritos.
Quando quem pede é um menininho, como as crianças não têm méritos, basta-lhe dizer: - Sou filho de Fulano.
Ah, Senhor – diz-Lhe com toda a tua alma! –, eu sou... filho de Deus.
 
- Quanto me queres?... Fala! – E o garotinho diz, marcando as sílabas: Mui-tos mi-lhões!

S. Josemaría Escrivá, Caminho.

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